A água tem estado em grande parte da minha vida.
Cresci perto dela e passei muitos dias em
contacto com ela quando eu era criança. Amo este
lugar porque ele me lembra
Kalamata, o lugar onde nasci. Se você
nasce num lugar assim e não deixa esse lugar até
seus dezoito anos, ele faz parte de você. É a
sua casa.
Meu estúdio de gravação é um lugar espetacular,
é uma obra de arte. Era um sonho meu possuí-lo.
Tudo o que esse estúdio me permite fazer é
fantástico. Levou um longo tempo para
construí-lo, muita gente trabalhou nele. Foram
anos para projetá-lo, construí-lo, mas agora,
estarei trabalhando aqui pela próxima década ou
mais.
Criar é, para mim, o mais poderoso ato
deliberado que o ser humano pode praticar. A
música, eu penso assim, é a mais poderosa e
direta linguagem conhecida pelo homem. Ela pode
comunicar através de outras línguas e,
essencialmente, ultrapassa a lógica e vai
diretamente à alma. A música pode comunicar tão
delicadas e sutis emoções que são impossíveis de
serem descritas usando palavras. Se eu fizer o
meu trabalho corretamente,os
ouvintes poderão experimentar o nível de emoções
que eu senti enquanto estava escrevendo a
música.
Fiquei isolado por um ano depois dos concertos
no Taj-Mahal e na Cidade Proibida. Depois de
encerrar a última turnê que teve, mais ou menos,
110 concertos, eu estava muito cansado, para
dizer o mínimo. Então, a primeira coisa que fiz
foi partir para a Grécia para ficar com meus
pais até que eu me sentisse curado. Viajei
muito, voltei a países onde havia estado com a
turnê e desta vez, tive tempo para ficar e
respirar o ar, comer e estar com as pessoas. Fui
me preenchendo com essas experiências e eu
precisava disso. Quando voltei, era tempo de
gravar. Eu estava com as idéias explodindo. Vim
com a mente aberta, não tinha idéia de como o
álbum seria.
Trabalho em uma canção por vez e fico
completamente consumido por ela. Primeiro, tenho
que saber qual será a emoção, como a música se
parecerá. Depois, penso nos instrumentos, no
ritmo, na velocidade, na melodia, em tudo.
Comecei a trabalhar nesse álbum há um ano e ele
é diferente. Ele não tem uma única direção.
Aprendi muito em todos esses anos de trabalho.
Este é diferente do
Acrópolis e do Tribute que são álbuns ao
vivo. Espero que as pessoas gostem. Eu,
certamente, tive muito prazer ao fazê-lo.
Aprendi muito durante esses anos. Foi,
realmente, uma época difícil. Havia muito a
aprender e também compreender: como está minha
carreira, qual é o significado de tudo isto, o
que eu estive fazendo durante os últimos 15
anos, por que eu trabalho tanto e,
essencialmente, qual é o significado de tudo
isso.
Sinto que agora estou colocando as coisas em
boas perspectivas. Assim, eu estou livre, estou
feliz e espero que continue assim porque vou
escrever muitas músicas.
YANNI EXPLICA O PROCESSO CRIATIVO EM SUA MÚSICA
Criar é, para mim, o mais poderoso ato
deliberado que um ser humano pode realizar. É
uma das mais importantes razões
para existir. Criar me completa. A música
pode comunicar tão delicadas e sutis emoções que
são quase impossíveis de serem descritas com
palavras e então, isso me proporciona uma enorme
capacidade de falar com as pessoas e, se eu
fizer o meu trabalho corretamente, o ouvinte
experimentará o mesmo nível de emoção que eu
senti enquanto compunha, sentirá como eu me
senti enquanto criava. Quando alguém ouvir a
música, sentirá o mesmo.
Para eu poder criar, preciso parar as
interferências da sociedade, parar esse
bombardeio, todas as informações que vêm
dos chamados telefônicos, ou é
aniversário de alguém, ou o Natal vem chegando,
ou é seu próprio aniversário, ou você tem que
pagar a conta do telefone, da eletricidade, o
seguro, ou então o carro quebrou...Tudo isso tem
que sair da mente, não pode existir. Não é fácil
fazer isso. Aprendi a fazer isso ao longo dos
anos e quando você consegue parar esse impacto,
você tem um diálogo particular e pode ir para um
lugar onde a criatividade não tem limite e você
consegue compor tantas músicas quanto quiser.
Posso fechar meus olhos e ouvir composições
inteiras, uma após outra, não tem fim. A única
exigência é que você não julgue, você não deve
ter uma opinião, não dizer que esta é uma boa
música, esta tem mais ritmo, esta é mais rápida,
esta é lenta, esta não é boa, porque, quando se
faz isso, você está do lado de fora, olhando
para dentro e não conseguirá mais criar. Eu
penso assim. É algo mágico.
YANNI EXPLICA OS ACONTECIMENTOS QUE O LEVARAM A
FAZER O NOVO ÁLBUM
Depois que eu terminei a última turnê, que teve,
mais ou menos, 110 concertos, eu estava muito
cansado, para dizer o mínimo. Cansado nem é a
palavra correta, eu estava exausto e me sentindo
num lugar ruim, muito difícil. Tinha tudo o que
queria, mas não estava feliz. Eu não me sentia
bem.
Então, a primeira coisa que fiz foi ir para a
Grécia, ficar com meus pais até que me sentisse
curado. Numa manhã, eu acordei, olhei o sol
nascendo e me senti feliz. Então eu percebi que
estava curado. Comecei então a pensar no que eu
gostaria de fazer. Viajei por alguns meses
depois disso.
Quando cheguei aqui, era hora de gravar. Eu
estava com as idéias explodindo e havia
esquecido como é lindo o que se sente quando se
cria, quando você faz algo partindo do nada e é
bem sucedido. E a felicidade que sinto a partir
disso me completa. Tinha me esquecido o quanto
isso é importante para mim.
YANNI DISCUTE POR QUE ESCOLHEU A FLÓRIDA PARA
SUA NOVA CASA







A água faz parte da minha vida. Cresci muito
perto dela. Passei a maior parte dos meus dias
nela quando eu era criança. Apenas olhar o mar
aberto onde meus olhos focalizam o infinito é
uma parte de mim que me fez muita falta quando
deixei a Grécia. Senti falta disso e foi muito
difícil. Quando volto para casa e vejo este
lugar novamente, digo: isso é o que minha alma
precisa, é isso que
eu amo. Eu amo este lugar porque ele me lembra
Kalamata, o lugar
onde nasci. É a mesma temperatura, bem perto do
oceano e se você nasceu num lugar assim e não
deixou esse lugar por 18 anos, é sua casa, você
não quer abandonar. Então, quando eu viajo, vou
a uma cidade grande e deixo o mar, logo volto
direto para junto da água, eu a amo. Agora,
divido o meu tempo entre aqui e a Grécia.
Essencialmente, eu permaneci um garoto de cidade
pequena. Eu gosto da simplicidade. Não gosto de
barulho ao meu redor.
YANNI DESCREVE SEU NOVO ESTÚDIO DE GRAVAÇÃO




Este lugar é espetacular, uma obra de arte em
estúdio de gravação, que era um sonho meu
possuir. Eu nunca tive tantas maravilhosas
facilidades assim antes, mas, tenha em mente, é
só tecnologia. O que é especial aqui é a
atmosfera, o “design” acústico primeiramente, a
que nós demos atenção especial, mas a atmosfera
é importante. Tudo está do jeito que eu gosto de
olhar quando trabalho. É um lugar agradável de
se ficar.
Mas a música não vem daqui, a música vem da
minha mente, no entanto, as ferramentas são
maravilhosas. O que este estúdio me permite
fazer é fantástico. Levou um longo tempo para
ser construído. Muita gente trabalhou aqui.
Foram vários anos para projetar, construir e
agora, estarei trabalhando aqui pela próxima
década ou mais.
YANNI DESCREVE A GRAVAÇÃO DE “IF I COULD TELL
YOU”

Cheguei aqui com a mente aberta, não tinha idéia
de como seria o novo álbum. Eu nem sabia se
havia um novo álbum dentro de mim. Em todos os
álbuns (e são 12 ou 13), eu sempre fico com um
pouco de medo e sempre cético. Não tenho certeza
de como o álbum será, que idéias surgirão ou
mesmo se terei novas idéias. Eu apenas vou me
questionando. Logo depois que começo a
trabalhar, no primeiro dia, imagino por que
fiquei me questionando. Eu trabalho em uma
música por vez e fico completamente consumido
por ela. Primeiro coloco a emoção, como a música
deverá parecer. Depois, defino quais
instrumentos usarei, qual será o ritmo, qual
velocidade, que sons, que melodia, tudo. No
começo, é só pura emoção. Sei o que eu sinto.
Depois, a escolha é mais fácil, vou escolhendo
sons, melodias, ritmos que descrevam aquela
emoção.
YANNI FALA SOBRE A APRESENTAÇÃO NO TAJ-MAHAL
O local do concerto foi construído em 6 meses.
Ele não existia. Só havia um rio e, mais atrás,
uma praia. Tivemos que transformar tudo num
lugar para 10 ou 15 mil pessoas. Colocamos
carpete em toda a área de palco. Construímos
duas pontes sobre o rio para as pessoas poderem
atravessar. Ficou uma pequena cidade. O
Taj-Mahal nunca tinha sido iluminado à noite.
Acendemos 100 milhões de lâmpadas. Todo o local
ficou tão iluminado que parecia luz do dia.
Então, os pássaros começaram a voar sobre nossas
cabeças e eram pássaros grandes. Foi muito
divertido.
YANNI REFLETE SOBRE A APRESENTAÇÃO NA CIDADE
PROIBIDA
Uma coisa realmente me surpreendeu sobre a
platéia chinesa: tinham me dito que eles eram
frios, que aplaudiam, mas não se levantavam da
cadeira. Eu não esperava muito deles, mas eu não
os conhecia pessoalmente.Isto estava muito longe
da verdade. O povo é caloroso, eles amam a
música. Eles se expressam bastante. Fizeram mais
barulho que muitas platéias americanas ou
outras.
Quanto ao governo, não houve problemas. Eles não
modificaram nada do que eu queria dizer ou
fazer no concerto.
Permitiram que eu me apresentasse, talvez 400
anos depois, 4 dias
antes do aniversário do local. Eles foram
tolerantes e receptivos comigo porque fui
receptivo com eles. Permitiram que eu
apresentasse o concerto e dissesse as mesmas
coisas que em qualquer outra parte do mundo. A
China é um país imenso. São muitas pessoas e
muitos ainda não têm direito à educação. Há
cidades extremamente desenvolvidas como Pequim,
Shangai, mas há
lugares em que o povo vive como há muito tempo.
Existem muitos e grandes problemas e é difícil
mover toda a nação numa única direção. Eu
simpatizei muito com eles.
YANNI FALA SOBRE SEU NOVO SITE
Acho que um “website”
é uma ferramenta poderosa. É o futuro. Além de
divulgar minha música, é uma ferramenta poderosa
para alcançar muitos lugares do planeta, porque,
agora, as pessoas podem se comunicar diretamente
umas com as outras. Assim, portanto, é bom para
mim, posso mostrar minha música a pessoas que
nunca estariam expostas a ela, ou nunca teriam
acesso a ela. Sempre desejei isso.
Acho que o fato de que qualquer um pode falar
com outros nesse minuto ou na próxima década,
mudará o modo como pensamos uns sobre os outros.
Acho que isso aproximará as pessoas e se tornará
mais difícil para líderes de nossa sociedade
empregar atividades perigosas, clandestinas e
outras. Acho que isso irá formar um novo
planeta.
YANNI DESCREVE SEUS FÃS
Meu público tem sido notável. Mesmo as pessoas
que encontro nas ruas são respeitosas. As cartas
que recebo de meus fãs, algumas vezes, me levam
às lágrimas e não é exagero. Eles me contam
muitas histórias. As cartas não falam muito do
amor à música. A música não é o centro delas,
aparece como complemento. As cartas falam de
sentimentos. Uma delas começa dizendo que essa
pessoa nunca tinha escrito esse tipo de carta
antes, mas achava que deveria me dizer algumas
coisas. Ela conta a história de como minha
música se relaciona com sua vida, como ela ajuda
a superar esta ou aquela situação. Por exemplo,
pessoas que fazem quimioterapia relatam como a
música as ajudou a
superar isso. A música tem sido usada por muitas
razões, por exemplo, para falar de amor à
esposa, ao pai, etc.
Eu nunca tinha tido a idéia de que eu estava
afetando as pessoas dessa maneira. Isso é bom.
Uma mulher grávida escreveu-me dizendo que
colocava minha música para seu bebê. Às vezes,
tocam minha música quando o bebê nasce, ou
durante funerais e casamentos. Para um artista,
ter esse tipo de ligação com seres humanos,
saber que sua arte pode ser usada nos mais
importantes períodos de suas vidas é
gratificante.
“IF I COULD TELL YOU” NAS PALAVRAS DE YANNI
Espero que as pessoas gostem deste novo álbum
como eu gostei de fazê-lo. Tive muito prazer
nisso. Levou um ano para prepará-lo e eu o sinto
muito consistente, muito agradável. Acho que
estará muito presente em suas vidas. Ele não
exige muita ou
profunda atenção, mas acho que ele é muito
forte. Apenas espero que as pessoas gostem.
