Quero dizer que é um grande prazer para
mim e um grande privilégio estar nesta
escola. Eu acho que é a melhor escola de
artes de todo o mundo. Eu absolutamente
amo o que é feito aqui e o espírito da
escola e sei que é um trabalho difícil
abrir a mente dos jovens. Acredito que
uma mente aberta é, provavelmente, uma
das mais importantes qualidades que o
ser humano pode possuir. Com a mente
fechada, não evoluímos.
Desejaria que, quando criança, tivesse
podido ir a uma escola como esta, mas
não tive essa oportunidade. Cresci na
Grécia, em Kalamata,
perto de um oceano lindíssimo, mas não
havia oportunidades lá. Tive que
aprender música
sozinho porque lá não tínhamos
nem gravador. As únicas formas de ouvir
música eram o rádio e também o cinema e
se eu quisesse ouvir novamente uma
música de que tinha gostado, a única
maneira era tocar eu mesmo e foi assim
que aprendi. Não nasci com talento como
algumas pessoas gostam de pensar. Eu
estudava e tentava lembrar os sons, as
notas. Então, hoje eu sei, com certeza,
como me desenvolvi. Eu ia ao piano e
tocava as notas tentando reproduzir os
sons de que eu havia gostado.
Bem, de qualquer forma, eu não estou
aqui para uma palestra. Sou um
compositor pouco convencional porque
aprendi sozinho, mas acredito que os
seres humanos são muito poderosos, todos
eles e não só alguns. Não há nada que
não possamos fazer. Não há limites. É
nossa imaginação que nos guia.
Eu apenas quero conversar com vocês e
divertirmo-nos. Vocês podem perguntar o
que quiserem. Vou tentar responder o
melhor que puder e, quando vocês
estiverem a caminho de casa, poderão
pensar que sempre há algo interessante a
se conseguir no futuro, algo para
pensar. Vamos abrir suas mentes porque
eu, certamente, vou mostrar coisas de um
ângulo diferente do que vocês estão
acostumados a ouvir. Não há verdades
absolutas, é somente aquilo que eu
aprendi de minhas experiências tentando
realmente entender música, compor e
mixar. A propósito, eu aprendi sozinho a
tocar piano, violão e foram duras
lições. Quando eu tinha
7 ou 8 anos,
comecei a aprender a tocar
acordeon.
Abandonei dois anos depois e vou dizer
por quê.
Meu irmão, que é um ano e meio mais
velho que eu, estava aprendendo a tocar
piano e tocava bem. Eu notei que, quando
ele tocava, as garotas ficavam todas ao
redor dele e quando eu tocava o
acordeon,
todos riam. Eu não sou estúpido, comecei
a estudar piano!!!

Pergunta 1:
Algumas pessoas tentam definir sua
música. Como você define sua música? Dá
para definir?
Yanni:
Eu não gosto de definições.
Música é música para mim. O fato de que
eu cresci na Grécia tem uma grande
importância em minha música. Eu cresci
ouvindo ritmos que não são comuns e que
hoje chamamos, nos EUA, de música étnica
e que eu considero simplesmente música.
Rock and
roll é
música também e eu absorvi tudo isso.
Quando vim pra os EUA, comecei a tocar
em bandas de rock depois de terminar a
faculdade e adquiri experiência. Também
amo a música clássica européia. Eu
ouvia, ouvia, ouvia muito e foi assim
que comecei a entender música. Acho que
definir é sentar e ouvir Beethoven,
Chopin, Mozart,
Strawinsk. Estes grandes homens
colocaram algo do que somos na música.
Música é o ser humano falando sobre o
que é a vida para ele, suas
experiências. Não é para aparecer, não é
só olhar e praticar. É sobre comunicação
e não sobre estudo.

Pergunta 2:
(Chicago) Quando você começou a tocar
piano?
Yanni:
Comecei cedo. Amo o piano, amo a
habilidade de expressar dele. Não é por
acaso que um
compositor gosta de música. Hoje eu não
uso o piano para escrever música. Minha
maneira de compor é silenciosa. Não
sento ao piano e vou tocando notas para
fazer a música. Não gosto de manipular
ou fabricar música. Acho que a música
deve ser ouvida, vocês estão na escola e
estão aprendendo estruturas e ritmos.
Tudo isso é necessário, mas não é só
isso. O que se aprende é instrumento.
Quando for o tempo de compor, vocês não
transmitirão notas e sim, emoção. Vocês
estarão falando sobre o que sentem.

Pergunta 3:
Mudar para os EUA mudou sua vida. Também
mudou a música que você compõe?
Yanni:
Esta é uma boa pergunta. Sim,
para ser simples. Qualquer coisa que
afeta você, muda
você como ser humano. Você muda a
maneira de fazer as coisas, a maneira
como se desenvolve, a maneira de compor.
Acho que é importante crescer como ser
humano além de trabalhar com música.
Acho que quem você é influencia tudo o
que se faz com arte e isso vai da
maneira de escrever, atuar, fazer
filmes, esculturas. Quem você é afeta
tudo o que faz.

Pergunta 4 :
(Austrália) Quando você começa a
compor, em que pensa em primeiro lugar?
Yanni:
Primeiro, eu tenho que saber como
a música será. Eu sei que emoções ou
conteúdo ela tem. Sabendo isso, a
escolha é que sons
vou utilizar e que ritmo terá:
lento ou mais rápido. Tenho que decidir
se vou usar bateria ou só um violino ou
uma flauta etc. Eu tenho que saber como
será ou, pelo menos, saber o que não
poderei usar e isso já ajuda.

Pergunta 5:
Yanni é seu
primeiro ou último nome?
Yanni:
Meu nome completo é
Yanni
Chryssomallis.
Yanni é o
primeiro nome e
Chryssomallis, o sobrenome. Você
fez uma expressão legal!!
Isto é exatamente o que acontece. Cansei
de soletrar meu sobrenome, então uso só
o primeiro nome.

Pergunta 6:
(Detroit) Que tipo de música você mais
gosta de tocar?
Yanni:
Gosto de todas as músicas. Não existe
música errada ou certa, música boa ou
ruim, é simplesmente música. Nós
atribuímos qualidades a ela. Se você
estiver andando por um pequeno vilarejo,
Montanhas Gregas, por exemplo, você irá
ouvir a música que eles tocam e a
maioria não vai gostar,
mas ela é
bonita. Além disso, aquele povo ama
aquela música. Eles se casam com ela,
morrem com ela, seus filhos nascem com
ela, eles a usam para tudo e funciona.
Os aborígenes
australianos usam o “didgeridoo”.
Para eles, este instrumento serve para
tudo e é um instrumento religioso. Eles
se movimentam com ele, meditam com ele.
Isto é errado? Nós podemos julgá-los e
dizer que essa não é a maneira correta
de fazer? Que existe só uma maneira de
fazer, a nossa maneira? Eu acho que essa
atitude é ruim, não podemos dizer que o
nosso modo de fazer música é o melhor, o
único. Isso é muito perigoso e eu não
concordo com isso. Viajo muito por todo
o mundo e isso me ensinou a ter a mente
aberta. Certamente, eu adoro o que eu
faço, mas não é a única coisa que existe
e que eu posso gostar ou amar. Mente
aberta, é preciso ter a mente aberta.

Pergunta 7:
Ter a mente aberta é importante. Quem
fez com que você se tornasse tão
receptivo a todos os tipos de música?
Yanni:
Tive a sorte de que meu pai e
minha mãe, ambos, eram muitos unidos e
trabalharam muito para evitar
julgamentos. Houve uma discrepância
entre o que eu aprendi em casa e o
que eu aprendi na escola.
Infelizmente, faltaram algumas coisas e
eu não tive grandes professores na
escola. Sempre houve essa discrepância
entre o que os professores me ensinaram
e o que eu aprendia em casa. Aprendi em
casa a beleza da arte e também que eu
poderia fazer e acreditar em mim mesmo,
acreditar que essa é a única maneira de
fazer o que se deseja e é o que estou
fazendo. Usei a técnica colocando
microfones nos violinos. Como ousar
fazer isso? Estou mudando a maneira de
fazer as coisas e não porque quero
aparecer ou impressionar ou ainda
mostrar algo novo, mas porque acho que
soa melhor. É algo que me atrai e eu
sempre quero tentar e ver o que acontece
quando, por exemplo, se coloca um
didgeridoo
junto com uma orquestra sinfônica e
conseguir uma música extremamente
harmoniosa no final. Mas não se pode nem
pensar nisso se você não tiver a mente
aberta.

Pergunta 8:
Você poderia deixar um conselho para
esses jovens?
Yanni:
Deixarei o mesmo conselho que dou
a todos, músico ou qualquer outro
profissional. Você tem que ter fé em si
mesmo. Esta é a primeira vez que apareço
em público neste ano e, provavelmente,
será a única, pois estou no meio da
composição de um álbum. Então, poderei
ficar isolado pelos próximos
6 meses, no
estúdio, escrevendo e gravando. Meu dia
é levantar, tocar música e dormir.
Levantar, tocar e dormir. Muitas vezes
eu nem como e as pessoas ficam
preocupadas comigo. Mas há muito prazer
em criar, em me expressar. Muitos são
criativos quando fazem o trabalho de que
gostam. Quando se faz o que se gosta,
não há cansaço. Não podemos trabalhar 6
horas por dia se não gostarmos do que
fazemos. Chega uma hora em que não dá
para agüentar mais. Então, façam o que
gostam da melhor maneira que puderem.
Qualquer sonho que se tenha,
se houver paixão, vai dar certo!
Sintam paixão pelo que fazem e vocês não
falharão!
Pergunta 9:
(Hong
Kong) Num mundo repleto de tecnologia,
como fazer a música mais humana?
Yanni:
Isto é importante para quem está
envolvido com computadores, teclados e
sintetizadores. Não se deixem dominar!
Eles são apenas ferramentas.
Coloquem-nos em seus lugares! Não deixem
que eles ocupem muito “espaço” em seus
estúdios. Acho que são como o pincel
para o pintor. Ajuda a fazer as linhas e
só. Isso é tudo. Olhando um teclado,
você vê que ele pode fazer um milhão de
coisas, muitas notas e tons. Passei um
longo tempo aprendendo e depois
coloquei-o em
seu lugar. Quando é preciso, posso
usá-lo e conseguir o que quero. Uma
coisa que eu evito é usar o computador
para compor músicas. Quero falar mais
sobre isso: eu uso o teclado por uma
razão. Ele nos dá uma enorme variedade
de sons e antes, se você quisesse um
novo som, teria que inventar um
instrumento. Hoje, a eletrônica pode
produzir muitos sons. Mas nada pode
substituir um violino real, uma flauta
real. Usamos o computador para criar
sons. Ele é material que eu uso como o
escultor usa o mármore, ou o pintor usa
as cores. Não há diferença. Uso o
teclado para adicionar sons à orquestra
os quais ele não tem. Adicionei bateria
à orquestra porque senti que, sem ela,
não havia o ritmo que eu queria.
Adicionei a percussão e o baixo. Então,
vocês vêem que isso abre a mente. Tem
que experimentar e perguntar a si mesmo:
o que eu quero? E começar a tentar para
conseguir.

Pergunta 10:
E sobre dor? Sua música expressa
seus sentimentos e experiências de vida.
Você demonstra sofrimento em sua música?
Yanni:
Não é simples dizer que, se estou
feliz, vou fazer uma música feliz e se
estou triste, vou compor uma música
triste. Acredito que tudo o que acontece
em nossa vida tem uma razão, acontece
para nos ensinar algo, mesmo
dificuldades e frustrações. São
excelentes oportunidades para
aprendermos. Quando eu estou frustrado,
com problemas ou sofrendo, não faço
música. Não gosto de escrever sobre
frustrações. Espero até resolver o
problema. Quando eu resolvo ou não, mas
quando supero, eu volto. A dor é algo
que nos ensina. Falo, em minha música,
sobre aprender. Isso é um outro nível.
Na música, por exemplo, o “rap” exprime
muita frustração e revolta. Não há nada
de errado nisso, mas eu,
conscientemente, escolhi não fazer. Não
acho que o mundo necessite desse tipo de
arte.
Pergunta 11:
Quando você compõe, ouve alguma
coisa, ou ela vem só da sua emoção?
Yanni:
O que ocorre é uma explosão de
emoção. Quando se está tomado pela
emoção, você se torna
a música. A
música é um trabalho completo.
Criatividade não vem de fora, vem do seu
interior. Então a inspiração explode. O
problema é aprender a ouvir o seu
interior, captar a inspiração. Hoje tudo
é contra isso. Você está ocupado, tem
problemas, tem dificuldades com o carro,
há muito barulho, poluição bombardeando
você todos os dias. Torna-se difícil
“ouvir” uma emoção real. Por isso,
escolhi coisas que me ajudam e evitam
isso. Você deve parar de “ouvir” esse
barulho e logo você conseguirá ouvir
você mesmo e a emoção aparece. Piano tem
muita importância nisso. Ele é emoção e
se você senta e ouve, percebe como é
fácil.

Pergunta 12:
Seu processo de criação é muito
divertido para mim! (Aparece
a folha em
que ele escreve a música) O
que é isto?
Yanni:
Parece fácil para mim!! Isso é
uma necessidade. São notas e alguns
números que significam tempo, etc. São
alguns símbolos que decidi criar por
achar necessários. Por exemplo, um
símbolo acima da nota significa que ela
é a mais alta neste trecho.
Essencialmente, isso é feito por mim
para lembrar algo que precisa estar em
minha mente. Memória musical desenvolve
nossa memória. Isso é muito importante
quando você está escrevendo, criando e
precisa ser capaz de reter todas as
informações em sua mente e isso requer
memória. No começo, quando eu comecei a
escrever, eu não conseguia me lembrar de
tudo, então criei os símbolos e parecem
complicados, mas funcionam. A razão é
que, nos últimos 8
ou 10 anos, eu os uso e eles têm muito
significado para mim. Confio no que está
na minha mente e tudo está lá, mesmo
agora que estou falando. Tenho
7 músicas,
inclusive as orquestrações em andamento.
Daqui a uma semana,
estarei sentado em meu estúdio e
tudo estará lá. Tudo estará lá para
complementar a
memória.

Pergunta 13: Em algum momento de
sua vida, você tocou ou gostaria de
tocar música clássica ou outro tipo de
música?
Yanni:
Vou responder honestamente.
Gostaria de dizer que sim, mas não é
verdade. Gosto de trabalhar sozinho. Há
um tipo de contradição porque estou
escrevendo para uma orquestra sinfônica.
Uso o sintetizador que é um substituto
barato, não muito bom, mas dá para
ouvir, pela primeira vez, aquilo que
estava só em minha mente. Nesse sentido
sim, mas eu sou mais um criador do que
um executor. Acho difícil ficar
repetindo. Acho difícil sentar e ficar
praticando muitas vezes a mesma coisa.
Estou mais interessado em escrever a
próxima música. Mas, durante o processo,
tenho que ensinar a banda e a orquestra
a tocar determinada música, ou seja, sem
ter consciência, estou praticando.

Pergunta 14: (Detroit)
Como você define”new
age”?
Yanni:
“New
Age” não é um termo musical, acho que é
um termo conveniente para as gravadoras
que o usam para todo tipo de música que
eles não conseguem classificar, aquilo
que não é rock and
roll, jazz
ou música clássica e que usam o
sintetizador, deve ser “new
age”. Infelizmente, para o mundo,
new age é um
ponto de vista filosófico sobre a vida e
quando você o aplica à música, você está
transferindo isso para ela. Eu não julgo
essa filosofia, não estudei, não a
conheço e é uma escolha infeliz de
palavras que se aplica à música.
Pergunta 15:
Que instrumentos você toca além
de piano e violão?
Yanni:
Nada mais, além, é claro, do
acordeon,
que eu toco muito bem! Talvez, ainda
hoje, eu tenha um
acordeon para tocar para vocês!!

Nesta
foto, eu tinha 9
ou 10 anos. Este
acordeon era muito pesado.
Chegava até minha boca!!
Comecei a tocar com
7 anos, eu me sentava e ele era
tão grande que eu não conseguia me
levantar!!

Pergunta 16:
Em todas as áreas artísticas,
muitos artistas se dedicam a uma área em
particular. Você sonha fazer mais alguma
coisa?
Yanni:
Eu me lembro de Michelangelo,
Einstein, durante a última parte de sua
vida, em que ele tocava violino. Eu não
acho muito bom fazer uma coisa somente.
Acho que pode se usar a arte onde
quiser. E isso é verdadeiro para todo
tipo de arte. Arte é essencialmente você
expressar-se. Isto é tudo o que se faz.
Se não há nada dentro, como colocar algo
numa pintura ou num livro? Se você
conhecer todas as palavras do
dicionário, em inglês ou qualquer outra
língua, toda a sintaxe e estruturas,
isso não faz de você um Shakespeare.
Como você coloca essas palavras juntas é
que faz a diferença. Na música, acho que
o mais importante é a mensagem. Tente
aprender o máximo que puder de qualquer
coisa.
Eu comecei como nadador na Grécia. Vim
para os EUA e estudei Psicologia. São
coisas bem diferentes. Depois de
formado, optei pela música.
Como nadador, aprendi a perseverança,
aprendi a fazer meu corpo mais forte e
isto é uma arma para o resto de minha
vida. Eu sei que posso me controlar.
Isto é importante.
A Psicologia fez com que eu me
entendesse e também passei a entender as
pessoas ao meu redor. Isto também ajudou
que eu me tornasse introspectivo o que
me é muito necessário hoje. Eu entendo a
vida em diferentes níveis. Posso usar a
música para expressar esses níveis. Se
eu não estivesse consciente disso tudo,
como poderia expressá-los? Você não pode
falsificar arte. O público não entenderá
o que está errado ou o que eles gostam
ou não. Então, a sugestão é trabalhar
com tudo. Não importa o quê, só importa
o que é novo. Se você começar a repetir,
repetir as mesmas coisas,
abandone. Faça algo mais. Vocês
são jovens o bastante para isso. Isso é
muito importante para o futuro. A maior
parte do que vocês encontrarem será novo
para vocês e mais vocês aprenderão. Não
façam uma coisa só.

Pergunta 17:
Você tinha ídolos quando criança?
Isso é importante para o crescimento de
uma criança?
Yanni:
Sim, há muitas pessoas que eu
admiro. Além dos filósofos gregos que eu
ainda estudo, um grande número de
artistas e qualquer pessoa que tenha
feito algo extraordinário como
Michelangelo, da Vinci e não
só músicos.
Eu não busco inspiração em músicos.
Algumas vezes ouço Beethoven. Qualquer
um que faça algo extraordinário, que não
possa ser feito me inspira. Inspira-me
porque mostra que nada é impossível.
Tudo é possível.
Pergunta 18:
O que você gosta de fazer além de
compor e tocar?
Yanni:
Amo tudo o que é ligado ao mar.
Cresci em Kalamata,
como já contei antes. Minha casa ficava
perto do mar. Então eu gosto de
windsurf,
barcos, tudo que se relaciona ao mar.
Ah, também gosto de pizza!!
Pergunta 19:
Quem é a “dama de vermelho” que
toca com você? Você é amigo dos seus
músicos?
Yanni:
Não é possível falar o bastante
sobre a “dama de vermelho” como alguns
se referem a ela. O nome dela é Karen
Briggs e eu
a encontrei há 6
ou 7 anos. Ela era um diamante numa
rocha: muito
original, voltada para o jazz,
mas com formação clássica. Trabalhei com
ela e com a orquestra ao mesmo tempo e
ela fazia seu próprio som, muito
poderoso. Ela faz solos e tem uma enorme
energia. Eu a adoro e nos tornamos
grandes amigos, é como uma irmã para
mim.
O restante de sua pergunta: sim, a
maioria das pessoas que tocam comigo são
meus amigos e eu passo muito tempo com
eles, ensinando. Trabalho com todos,
tento encorajá-los, tento criar uma boa
atmosfera e quando tocamos, orquestra e
banda são uma coisa
só. Tenho muitos amigos lá e isso é
muito bom.

Pergunta
20: Você
acha que artistas podem ser criados ou
devem já nascer com o dom?
Yanni:
Esta é uma boa pergunta e também
muito difícil. Em psicologia estudamos
se há influências genéticas e não acho
que já tenham encontrado a resposta. Mas
eu acho que a pessoa nasce com uma
predisposição. Não acho que eu nasci
para amar a música. Muitas pessoas dizem
que é dom. Não, não é dom. Esta é uma
maneira fácil de explicar o que não se
entende. Eu desenvolvi isso porque
trabalhei nisso. Agora, o que me fez
querer aprender música? Temos que olhar
o lugar onde cresci. Meu pai tocava
violão, minha mãe cantava e na Grécia, é
um hábito tomar um pouco de vinho (ou
muito vinho) no jantar e depois de
jantar, meus tios e primos, a família
toda se reunia, pelo menos, uma ou duas
vezes por semana. Meu pai tocava e nós
cantávamos. Então, para mim, música era
muito importante. Eu via meu pai tocar,
ficava muito impressionado e queria
fazer o mesmo. Acho que isso desenvolveu
meu interesse pela música. Acho que as
coisas que acontecem em nossa vida
sempre têm uma razão. Há momentos na
vida que atraem nossa atenção e viramos
“esponjas”. Eu estava predisposto a
absorver música. Alguém fala sobre
filmes, isso vai direto ao cérebro,
alguém fala sobre música, isso vai ao
cérebro muitas, muitas vezes. Não acho
que seja dom. Trabalhei muito por isso.
Só eu sei o quanto eu tive que
trabalhar.

Pergunta 21:
Quero saber se a música é a coisa
mais importante de sua vida.
Yanni:
Ah, se não é, está muito perto
disso. Sei uma coisa: ela é uma das
melhores amigas que eu tenho tido e a
mais fiel amiga. Agora,
uma coisa posso
dizer a você: não importa o que
está estudando, não importa se é
artista, é uma coisa que nunca me
trairá. Quanto mais tempo dedico a ela,
mais fiel ela será e mais eu terei de
retorno. Você nunca perde colocando
energia no que ama. Não posso dizer com
certeza que ela é a coisa mais
importante da minha vida porque meu
crescimento pessoal é muito importante,
mas música é a minha paixão.

Pergunta 22:
Se você não fosse músico, o que
seria?
Yanni:
É difícil responder porque é
sempre “se”. É difícil dizer o que
faria, uma coisa eu sei: só faria o que
gosto. Se você não gostar de algo, você
não se envolverá. Nunca me
comprometeria com algo assim. Acho que é
um tormento passar a vida toda, 35, 40
anos, fazendo um trabalho de que você
não gosta e uma enorme quantidade de
pessoas hoje faz isso. Então, agarrem a
chance. Vocês devem tentar agarrar as
coisas que mais amam. Vocês têm que ser
felizes e não importa se terão milhões
de dólares ou não. A viagem é mais
importante que a chegada. Se eu não
estivesse feliz fazendo música por 20
anos até chegar aos 38 quando,
finalmente, consegui resultados, o que
seria agora, tendo passado
18 anos infeliz?
Eu teria perdido a minha vida. Você me
entende?
MENSAGEM FINAL DE YANNI:
Falei sobre a maioria daquilo que queria
falar. Foi maravilhoso para
mim estar
aqui falando com vocês e o que eu espero
é que alguns pensamentos que deixei os
ajudem no futuro. Procurei abrir suas
mentes e mostrar que não há maneira
certa ou errada de fazer música. Tentem
se abrir para diferentes estilos. Ouçam,
no mínimo, se vocês não quiserem tocar
algo, pelo menos, fiquem expostos a
isso. Isto dará “cor” a vocês. Acho que
devem aprender os clássicos e a maneira
como a música era feita no passado; há
muito conhecimento para ser digerido
neste aspecto. Trabalhem e estudem e
depois de formados é que vocês terão que
adicionar aquilo que determinará quem
vocês são. Quando vocês criam, vocês se
tornam melhores, o que quer que vocês
ouçam ou vejam, o que quer que alguém
diga a vocês não é seu, mas traz algo
novo até que vocês possam caminhar seja
como pintor, músico, escultor, vocês
terão que falar
com suas próprias vozes. À
medida que o professor ensina,
minha sugestão é trabalhar com isso,
tentar fazer o conhecimento passado a
vocês, seu. Tentem dar
um passo sozinhos
e por que não irá funcionar? Criar o
processo é algo maravilhoso. Isto é o
que eu queria dizer e sigam minha
experiência: sintam prazer no que fazem.
Espero voltar!