Apresentação: James Brown

 

 

Boa-noite, amantes da música! Bem-vindos ao nosso programa especial “YanniOne on One”. Eu sou James Brown, o apresentador.

Desde o início dos tempos, qualquer ser tem alegria e prazer com o som. Mais do que outras formas de arte, a música fala diretamente ao coração. Ela é, verdadeiramente, uma linguagem universal que transcende nações. Na música mundial de hoje, ninguém capta o espírito universal mais do que o artista Yanni

 

 

Sua música atinge pessoas em todo o mundo: jovens e velhos. Você pode perguntar como é possível. Não há regras ou restrições em sua música. Ele tem paixão ao criar e uma história a contar. Seu contato com a música é único e de diferentes maneiras: compositor, produtor, intérprete e mesmo engenheiro de áudio. Ele se envolve em todo o processo criativo. Por esta razão ele foi convidado para falar com os melhores estudantes de música de todo o mundo. Ele falará com uma platéia de estudantes do Interlochen Center for the Arts.

Lembrem-se: não será uma palestra, mas uma interação entre alunos e Yanni.

Agora, antes de irmos até Michigan, vamos dar uma olhada no artista e sua música.

 

 

(trecho do Acropolis) É um perfeito casamento: local e artista. Yanni realizou um concerto na Acropolis transmitido para mais de 60 países e visto por milhões de pessoas.

A música instrumental contemporânea de Yanni vai da orquestra ao sintetizador até o tradicional piano. Para uma melhor definição, ao rock and roll no piano.

 

 

Como podemos chamar isto?   (aparece a Karen tocando)

 

E isto? Uma só flauta?     (aparece Pedro tocando)

 

 

O fato é que a música de Yanni é linda, com o antigo “didgeridoo  tocado por um aborígene australiano  até o sintetizador tocado pelo compositor.

Então, vamos a Michigan onde teremos a oportunidade de falar com ele.

 

  

 

Apresentação do Yanni:

Quero dizer que é um grande prazer para mim e um grande privilégio estar nesta escola. Eu acho que é a melhor escola de artes de todo o mundo. Eu absolutamente amo o que é feito aqui e o espírito da escola e sei que é um trabalho difícil abrir a mente dos jovens. Acredito que uma mente aberta é, provavelmente, uma das mais importantes qualidades que o ser humano pode possuir. Com a mente fechada, não evoluímos.

Desejaria que, quando criança, tivesse podido ir a uma escola como esta, mas não tive essa oportunidade. Cresci na Grécia, em Kalamata, perto de um oceano lindíssimo, mas não havia oportunidades lá. Tive que aprender música sozinho porque lá não tínhamos nem gravador. As únicas formas de ouvir música eram o rádio e também o cinema e se eu quisesse ouvir novamente uma música de que tinha gostado, a única maneira era tocar eu mesmo e foi assim que aprendi. Não nasci com talento como algumas pessoas gostam de pensar. Eu estudava e tentava lembrar os sons, as notas. Então, hoje eu sei, com certeza, como me desenvolvi. Eu ia ao piano e tocava as notas tentando reproduzir os sons de que eu havia gostado.

Bem, de qualquer forma, eu não estou aqui para uma palestra. Sou um compositor pouco convencional porque aprendi sozinho, mas acredito que os seres humanos são muito poderosos, todos eles e não só alguns. Não há nada que não possamos fazer. Não há limites. É nossa imaginação que nos guia.

Eu apenas quero conversar com vocês e divertirmo-nos. Vocês podem perguntar o que quiserem. Vou tentar responder o melhor que puder e, quando vocês estiverem a caminho de casa, poderão pensar que sempre há algo interessante a se conseguir no futuro, algo para pensar. Vamos abrir suas mentes porque eu, certamente, vou mostrar coisas de um ângulo diferente do que vocês estão acostumados a ouvir. Não há verdades absolutas, é somente aquilo que eu aprendi de minhas experiências tentando realmente entender música, compor e mixar. A propósito, eu aprendi sozinho a tocar piano, violão e foram duras lições. Quando eu tinha 7 ou 8 anos, comecei a aprender a tocar acordeon. Abandonei dois anos depois e vou dizer por quê.

Meu irmão, que é um ano e meio mais velho que eu, estava aprendendo a tocar piano e tocava bem. Eu notei que, quando ele tocava, as garotas ficavam todas ao redor dele e quando eu tocava o acordeon, todos riam. Eu não sou estúpido, comecei a estudar piano!!!

 

 

Pergunta 1:  Algumas pessoas tentam definir sua música. Como você define sua música? Dá para definir?

Yanni:  Eu não gosto de definições. Música é música para mim. O fato de que eu cresci na Grécia tem uma grande importância em minha música. Eu cresci ouvindo ritmos que não são comuns e que hoje chamamos, nos EUA, de música étnica e que eu considero simplesmente música. Rock and roll é música também e eu absorvi tudo isso. Quando vim pra os EUA, comecei a tocar em bandas de rock depois de terminar a faculdade e adquiri experiência. Também amo a música clássica européia. Eu ouvia, ouvia, ouvia muito e foi assim que comecei a entender música. Acho que definir é sentar e ouvir Beethoven, Chopin, Mozart, Strawinsk. Estes grandes homens colocaram algo do que somos na música. Música é o ser humano falando sobre o que é a vida para ele, suas experiências. Não é para aparecer, não é só olhar e praticar. É sobre comunicação e não sobre estudo.

 

 

Pergunta 2: (Chicago)  Quando você começou a tocar piano?

Yanni: Comecei cedo. Amo o piano, amo a habilidade de expressar dele. Não é por acaso que  um compositor gosta de música. Hoje eu não uso o piano para escrever música. Minha maneira de compor é silenciosa. Não sento ao piano e vou tocando notas para fazer a música. Não gosto de manipular ou fabricar música. Acho que a música deve ser ouvida, vocês estão na escola e estão aprendendo estruturas e ritmos. Tudo isso é necessário, mas não é só isso. O que se aprende é instrumento. Quando for o tempo de compor, vocês não transmitirão notas e sim, emoção. Vocês estarão falando sobre o que sentem.

 

 

Pergunta 3:  Mudar para os EUA mudou sua vida. Também mudou a música que você compõe?

Yanni:  Esta é uma boa pergunta. Sim, para ser simples. Qualquer coisa que afeta você, muda você como ser humano. Você muda a maneira de fazer as coisas, a maneira como se desenvolve, a maneira de compor. Acho que é importante crescer como ser humano além de trabalhar com música. Acho que quem você é influencia tudo o que se faz com arte e isso vai da maneira de escrever, atuar, fazer filmes, esculturas. Quem você é afeta tudo o que faz.

 

 

Pergunta 4 : (Austrália)  Quando você começa a compor, em que pensa em primeiro lugar?

Yanni:  Primeiro, eu tenho que saber como a música será. Eu sei que emoções ou conteúdo ela tem. Sabendo isso, a escolha é que sons vou utilizar e que ritmo terá: lento ou mais rápido. Tenho que decidir se vou usar bateria ou só um violino ou uma flauta etc. Eu tenho que saber como será ou, pelo menos, saber o que não poderei usar e isso já ajuda.

 

 

Pergunta 5Yanni é seu primeiro ou último nome?

Yanni: Meu nome completo é Yanni ChryssomallisYanni é o primeiro nome e Chryssomallis, o sobrenome. Você fez uma expressão legal!! Isto é exatamente o que acontece. Cansei de soletrar meu sobrenome, então uso só o primeiro nome.

 

 

Pergunta 6: (Detroit) Que tipo de música você mais gosta de tocar?

Yanni: Gosto de todas as músicas. Não existe música errada ou certa, música boa ou ruim, é simplesmente música. Nós atribuímos qualidades a ela.  Se você estiver andando por um pequeno vilarejo, Montanhas Gregas, por exemplo, você irá ouvir a música que eles tocam e a maioria não vai gostar, mas ela é bonita. Além disso, aquele povo ama aquela música. Eles se casam com ela, morrem com ela, seus filhos nascem com ela, eles a usam para tudo e funciona. Os aborígenes australianos usam o “didgeridoo”. Para eles, este instrumento serve para tudo e é um instrumento religioso. Eles se movimentam com ele, meditam com ele. Isto é errado? Nós podemos julgá-los e dizer que essa não é a maneira correta de fazer? Que existe só uma maneira de fazer, a nossa maneira? Eu acho que essa atitude é ruim, não podemos dizer que o nosso modo de fazer música é o melhor, o único. Isso é muito perigoso e eu não concordo com isso. Viajo muito por todo o mundo e isso me ensinou a ter a mente aberta. Certamente, eu adoro o que eu faço, mas não é a única coisa que existe e que eu posso gostar ou amar. Mente aberta, é preciso ter a mente aberta.

 

 

Pergunta 7:  Ter a mente aberta é importante. Quem fez com que você se tornasse tão receptivo a todos os tipos de música?

Yanni:  Tive a sorte de que meu pai e minha mãe, ambos, eram muitos unidos e trabalharam muito para evitar julgamentos. Houve uma discrepância entre o que eu aprendi em casa e o  que eu aprendi na escola. Infelizmente, faltaram algumas coisas e eu não tive grandes professores na escola. Sempre houve essa discrepância entre o que os professores me ensinaram e o que eu aprendia em casa. Aprendi em casa a beleza da arte e também que eu poderia fazer e acreditar em mim mesmo, acreditar que essa é a única maneira de fazer o que se deseja e é o que estou fazendo. Usei a técnica colocando microfones nos violinos.  Como ousar fazer isso? Estou mudando a maneira de fazer as coisas e não porque quero aparecer ou impressionar ou ainda mostrar algo novo, mas porque acho que soa melhor. É algo que me atrai e eu sempre quero tentar e ver o que acontece quando, por exemplo, se coloca um didgeridoo junto com uma orquestra sinfônica e conseguir uma música extremamente harmoniosa no final. Mas não se pode nem pensar nisso se você não tiver a mente aberta.

 

 

Pergunta 8: Você poderia deixar um conselho para esses jovens?

Yanni:  Deixarei o mesmo conselho que dou a todos, músico ou qualquer outro profissional. Você tem que ter fé em si mesmo. Esta é a primeira vez que apareço em público neste ano e, provavelmente, será a única, pois estou no meio da composição de um álbum. Então, poderei ficar isolado pelos próximos 6 meses, no estúdio, escrevendo e gravando. Meu dia é levantar, tocar música e dormir. Levantar, tocar e dormir. Muitas vezes eu nem como e as pessoas ficam preocupadas comigo. Mas há muito prazer em criar, em me expressar. Muitos são criativos quando fazem o trabalho de que gostam. Quando se faz o que se gosta, não há cansaço. Não podemos trabalhar 6 horas por dia se não gostarmos do que fazemos. Chega uma hora em que não dá para agüentar mais. Então, façam o que gostam da melhor maneira que puderem. Qualquer sonho que se tenha, se houver paixão, vai dar certo! Sintam paixão pelo que fazem e vocês não falharão!

 

 

 

Pergunta 9: (Hong Kong)  Num mundo repleto de tecnologia, como fazer a música mais humana?

Yanni:  Isto é importante para quem está envolvido com computadores, teclados e sintetizadores. Não se deixem dominar! Eles são apenas ferramentas. Coloquem-nos em seus lugares! Não deixem que eles ocupem muito “espaço” em seus estúdios. Acho que são como o pincel para o pintor. Ajuda a fazer as linhas e só. Isso é tudo. Olhando um teclado, você vê que ele pode fazer um milhão de coisas, muitas notas e tons. Passei um longo tempo aprendendo e depois coloquei-o em seu lugar. Quando é preciso, posso usá-lo e conseguir o que quero. Uma coisa que eu evito é usar o computador para compor músicas. Quero falar mais sobre isso: eu uso o teclado por uma razão. Ele nos dá uma enorme variedade de sons e antes, se você quisesse um novo som, teria que inventar um instrumento. Hoje, a eletrônica pode produzir muitos sons. Mas nada pode substituir um violino real, uma flauta real. Usamos o computador para criar sons. Ele é material que eu uso como o escultor usa o mármore, ou o pintor usa as cores. Não há diferença. Uso o teclado para adicionar sons à orquestra os quais ele não tem. Adicionei bateria à orquestra porque senti que, sem ela, não havia o ritmo que eu queria. Adicionei a percussão e o baixo. Então, vocês vêem que isso abre a mente. Tem que experimentar e perguntar a si mesmo: o que eu quero? E começar a tentar para conseguir.

 

 

Pergunta 10:  E sobre dor? Sua música expressa seus sentimentos e experiências de vida. Você demonstra sofrimento em sua música?

Yanni:  Não é simples dizer que, se estou feliz, vou fazer uma música feliz e se estou triste, vou compor uma música triste. Acredito que tudo o que acontece em nossa vida tem uma razão, acontece para nos ensinar algo, mesmo dificuldades e frustrações. São excelentes oportunidades para aprendermos. Quando eu estou frustrado, com problemas ou sofrendo, não faço música. Não gosto de escrever sobre frustrações. Espero até resolver o problema. Quando eu resolvo ou não, mas quando supero, eu volto. A dor é algo que nos ensina. Falo, em minha música, sobre aprender. Isso é um outro nível. Na música, por exemplo, o “rap” exprime muita frustração e revolta. Não há nada de errado nisso, mas eu, conscientemente, escolhi não fazer. Não acho que o mundo necessite desse tipo de arte.

 

 

Pergunta 11:  Quando você compõe, ouve alguma coisa, ou ela vem só da sua emoção?

Yanni:  O que ocorre é uma explosão de emoção. Quando se está tomado pela emoção, você se torna a música. A música é um trabalho completo. Criatividade não vem de fora, vem do seu interior. Então a inspiração explode. O problema é aprender a ouvir o seu interior, captar a inspiração. Hoje tudo é contra isso. Você está ocupado, tem problemas, tem dificuldades com o carro, há muito barulho, poluição bombardeando você todos os dias. Torna-se difícil “ouvir” uma emoção real. Por isso, escolhi coisas que me ajudam e evitam isso. Você deve parar de “ouvir” esse barulho e logo você conseguirá ouvir você mesmo e a emoção aparece. Piano tem muita importância nisso. Ele é emoção e se você senta e ouve, percebe como é fácil.

 

 

 

Pergunta 12:  Seu processo de criação é muito divertido para mim!  (Aparece a folha em que ele escreve a música)   O que é isto?

Yanni:  Parece fácil para mim!!  Isso é uma necessidade.  São notas e alguns números que significam tempo, etc. São alguns símbolos que decidi criar por achar necessários. Por exemplo, um símbolo acima da nota significa que ela é a mais alta neste trecho. Essencialmente, isso é feito por mim para lembrar algo que precisa estar em minha mente. Memória musical desenvolve nossa memória.  Isso é muito importante quando você está escrevendo, criando e precisa ser capaz de reter todas as informações em sua mente e isso requer memória. No começo, quando eu comecei a escrever, eu não conseguia me lembrar de tudo, então criei os símbolos e parecem complicados, mas funcionam. A razão é que, nos últimos 8 ou 10 anos, eu os uso e eles têm muito significado para mim. Confio no que está na minha mente e tudo está lá, mesmo agora que estou falando. Tenho 7 músicas, inclusive as orquestrações em andamento. Daqui a uma semana, estarei sentado em meu estúdio e tudo estará lá. Tudo estará lá para complementar a memória.

 

 

Pergunta 13: Em algum momento de sua vida, você tocou ou gostaria de tocar música clássica ou outro tipo de música?

Yanni:  Vou responder honestamente. Gostaria de dizer que sim, mas não é verdade. Gosto de trabalhar sozinho. Há um tipo de contradição porque estou escrevendo para uma orquestra sinfônica. Uso o sintetizador que é um substituto barato, não muito bom, mas dá para ouvir, pela primeira vez, aquilo que estava só em minha mente. Nesse sentido sim, mas eu sou mais um criador do que um executor. Acho difícil ficar repetindo. Acho difícil sentar e ficar praticando muitas vezes a mesma coisa. Estou mais interessado em escrever a próxima música. Mas, durante o processo, tenho que ensinar a banda e a orquestra a tocar determinada música, ou seja, sem ter consciência, estou praticando.

 

 

Pergunta 14: (Detroit)  Como você define”new age”?

Yanni:  New Age” não é um termo musical, acho que é um termo conveniente para as gravadoras que o usam para todo tipo de música que eles não conseguem classificar, aquilo que não é rock and roll, jazz ou música clássica e que usam o sintetizador, deve ser “new age”.  Infelizmente, para o mundo, new age é um ponto de vista filosófico sobre a vida e quando você o aplica à música, você está transferindo isso para ela. Eu não julgo essa filosofia, não estudei, não a conheço e é uma escolha infeliz de palavras que se aplica à música.

 

 

 

Pergunta 15:  Que instrumentos você toca além de piano e violão?

Yanni: Nada mais, além, é claro, do acordeon, que eu toco muito bem! Talvez, ainda hoje, eu tenha um acordeon para tocar para vocês!! 

 

 

 Nesta foto, eu tinha 9 ou 10 anos. Este acordeon era muito pesado. Chegava até minha boca!! Comecei a tocar com 7 anos, eu me sentava e ele era tão grande que eu não conseguia me levantar!!

 

 

Pergunta 16:  Em todas as áreas artísticas, muitos artistas se dedicam a uma área em particular. Você sonha fazer mais alguma coisa?

Yanni:  Eu me lembro de Michelangelo, Einstein, durante a última parte de sua vida, em que ele tocava violino. Eu não acho muito bom fazer uma coisa somente. Acho que pode se usar a arte onde quiser. E isso é verdadeiro para todo tipo de arte. Arte é essencialmente você expressar-se. Isto é tudo o que se faz. Se não há nada dentro, como colocar algo numa pintura ou num livro? Se você conhecer todas as palavras do dicionário, em inglês ou qualquer outra língua, toda a sintaxe e estruturas, isso não faz de você um Shakespeare. Como você coloca essas palavras juntas é que faz a diferença. Na música, acho que o mais importante é a mensagem. Tente aprender o máximo que puder de qualquer coisa.

Eu comecei como nadador na Grécia. Vim para os EUA e estudei Psicologia. São coisas bem diferentes. Depois de formado, optei pela música.

Como nadador, aprendi a perseverança, aprendi a fazer meu corpo mais forte e isto é uma arma para o resto de minha vida. Eu sei que posso me controlar. Isto é importante.

A Psicologia fez com que eu me entendesse e também passei a entender as pessoas ao meu redor. Isto também ajudou que eu me tornasse introspectivo o que me é muito necessário hoje. Eu entendo a vida em diferentes níveis. Posso usar a música para expressar esses níveis. Se eu não estivesse consciente disso tudo, como poderia expressá-los? Você não pode falsificar arte. O público não entenderá o que está errado ou o que eles gostam ou não. Então, a sugestão é trabalhar com tudo. Não importa o quê, só importa o que é novo. Se você começar a repetir, repetir as mesmas coisas, abandone. Faça algo mais. Vocês são jovens o bastante para isso. Isso é muito importante para o futuro. A maior parte do que vocês encontrarem será novo para vocês e mais vocês aprenderão. Não façam uma coisa só.

 

 

Pergunta 17:  Você tinha ídolos quando criança? Isso é importante para o crescimento de uma criança?

Yanni:   Sim, há muitas pessoas que eu admiro. Além dos filósofos gregos que eu ainda estudo, um grande número de artistas e qualquer pessoa que tenha feito algo extraordinário como Michelangelo, da Vinci e não só músicos. Eu não busco inspiração em músicos. Algumas vezes ouço Beethoven. Qualquer um que faça algo extraordinário, que não possa ser feito me inspira. Inspira-me porque mostra que nada é impossível. Tudo é possível.

 

 

 

Pergunta 18:  O que você gosta de fazer além de compor e tocar?

Yanni:  Amo tudo o que é ligado ao mar. Cresci em Kalamata, como já contei antes. Minha casa ficava perto do mar. Então eu gosto de windsurf, barcos, tudo que se relaciona ao mar.

Ah, também gosto de pizza!!

 

 

 

Pergunta 19:  Quem é a “dama de vermelho” que toca com você? Você é amigo dos seus músicos?

Yanni:  Não é possível falar o bastante sobre a “dama de vermelho” como alguns se referem a ela. O nome dela é Karen Briggs e eu a encontrei há 6 ou 7 anos. Ela era um diamante numa rocha: muito original, voltada para o jazz, mas com formação clássica. Trabalhei com ela e com a orquestra ao mesmo tempo e ela fazia seu próprio som, muito poderoso. Ela faz solos e tem uma enorme energia. Eu a adoro e nos tornamos grandes amigos, é como uma irmã para mim.

O restante de sua pergunta: sim, a maioria das pessoas que tocam comigo são meus amigos e eu passo muito tempo com eles, ensinando. Trabalho com todos, tento encorajá-los, tento criar uma boa atmosfera e quando tocamos, orquestra e banda são uma coisa só. Tenho muitos amigos lá e isso é muito bom.

 

 

 Pergunta 20:  Você acha que artistas podem ser criados ou devem já nascer com o dom?

Yanni:  Esta é uma boa pergunta e também muito difícil. Em psicologia estudamos se há influências genéticas e não acho que já tenham encontrado a resposta. Mas eu acho que a pessoa nasce com uma predisposição. Não acho que eu nasci para amar a música. Muitas pessoas dizem que é dom. Não, não é dom. Esta é uma maneira fácil de explicar o que não se entende. Eu desenvolvi isso porque trabalhei nisso. Agora, o que me fez querer aprender música? Temos que olhar o lugar onde cresci. Meu pai tocava violão, minha mãe cantava e na Grécia, é um hábito tomar um pouco de vinho (ou muito vinho) no jantar e depois de jantar, meus tios e primos, a família toda se reunia, pelo menos, uma ou duas vezes por semana. Meu pai tocava e nós cantávamos. Então, para mim, música era muito importante. Eu via meu pai tocar, ficava muito impressionado e queria fazer o mesmo. Acho que isso desenvolveu meu interesse pela música. Acho que as coisas que acontecem em nossa vida sempre têm uma razão. Há momentos na vida que atraem nossa atenção e viramos “esponjas”. Eu estava predisposto a absorver música. Alguém fala sobre filmes, isso vai direto ao cérebro, alguém fala sobre música, isso vai ao cérebro muitas, muitas vezes. Não acho que seja dom. Trabalhei muito por isso. Só eu sei o quanto eu tive que trabalhar.

 

 

Pergunta 21:  Quero saber se a música é a coisa mais importante de sua vida.

Yanni:  Ah, se não é, está muito perto disso. Sei uma coisa: ela é uma das melhores amigas que eu tenho tido e a mais fiel amiga. Agora, uma coisa posso dizer a você: não importa o que está estudando, não importa se é artista, é uma coisa que nunca me trairá. Quanto mais tempo dedico a ela, mais fiel ela será e mais eu terei de retorno. Você nunca perde colocando energia no que ama. Não posso dizer com certeza que ela é a coisa mais importante da minha vida porque meu crescimento pessoal é muito importante, mas música é a minha paixão.

 

 

Pergunta 22:  Se você não fosse músico, o que seria?

Yanni:  É difícil responder porque é sempre “se”.  É difícil dizer o que faria, uma coisa eu sei: só faria o que gosto. Se você não gostar de algo, você não se envolverá.   Nunca me comprometeria com algo assim. Acho que é um tormento passar a vida toda, 35, 40 anos, fazendo um trabalho de que você não gosta e uma enorme quantidade de pessoas hoje faz isso. Então, agarrem a chance. Vocês devem tentar agarrar as coisas que mais amam. Vocês têm que ser felizes e não importa se terão milhões de dólares ou não. A viagem é mais importante que a chegada.  Se eu não estivesse feliz fazendo música por 20 anos até chegar aos 38 quando, finalmente, consegui resultados, o que seria agora, tendo passado 18 anos infeliz? Eu teria perdido a minha vida. Você me entende?

 

MENSAGEM FINAL DE YANNI:

 

 

  

Falei sobre a maioria daquilo que queria falar. Foi maravilhoso para mim estar aqui falando com vocês e o que eu espero é que alguns pensamentos que deixei os ajudem no futuro. Procurei abrir suas mentes e mostrar que não há maneira certa ou errada de fazer música. Tentem se abrir para diferentes estilos. Ouçam, no mínimo, se vocês não quiserem tocar algo, pelo menos, fiquem expostos a isso. Isto dará “cor” a vocês. Acho que devem aprender os clássicos e a maneira como a música era feita no passado; há muito conhecimento para ser digerido neste aspecto. Trabalhem e estudem e depois de formados é que vocês terão que adicionar aquilo que determinará quem vocês são. Quando vocês criam, vocês se tornam melhores, o que quer que vocês ouçam ou vejam, o que quer que alguém diga a vocês não é seu, mas traz algo novo até que vocês possam caminhar seja como pintor, músico, escultor, vocês terão que falar  com suas próprias vozes. À  medida que o professor ensina, minha sugestão é trabalhar com isso, tentar fazer o conhecimento passado a vocês, seu. Tentem dar um passo sozinhos e por que não irá funcionar? Criar o processo é algo maravilhoso. Isto é o que eu queria dizer e sigam minha experiência: sintam prazer no que fazem. Espero voltar!

 

 

 

 

 

 

                    

                    

 

Arte exclusiva para
Sonia Chinaglia
 
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